Rotina coreana de cuidados com a pele: esfoliar

Atenção: este post faz parte de uma série que explica todas as etapas da rotina utilizada pelos coreanos para cuidar da pele e foi inspirado no livro The Little Book of Skin Care: Korean Beauty Secrets for Healthy, Glowing Skin de Charlotte Cho. Se você ainda não viu o meu texto que fala sobre o livro e que faz uma introdução sobre este tema, recomendo fortemente dar uma olhadinha nele antes de prosseguir aqui. Acesse o texto inicial neste link.


Estapa anterior: limpar | próxima etapa: tonificar

A terceira etapa desta rotina é a esfoliação, que é o meio pelo qual se removem as células mortas da superfície da pele contribuindo, assim, para o processo de renovação celular. A esfoliação também ajuda a reduzir a aparência dos poros (só a aparência, já que o tamanho dos poros é determinado geneticamente) e prevenir cravos e espinhas.

Assim como a limpeza, acredito que a esfoliação não seja um mistério para muita gente, mas alguns pontos importantes merecem ser discutidos. Bora lá!

O primeiro deles é que não existe um número mágico que diz quantas vezes você deve esfoliar seu rosto por semana. Como mencionei na etapa da limpeza, você precisa observar sua pele e é ela quem dará esta resposta. Comece a sua rotina e preste atenção. Quer dicas? Se seu rosto estiver com um aspecto ressecado e sem luminosidade (aquele brilho saudável de pele hidratada e não de aspecto oleoso), você está esfoliando pouco. Por outro lado, se sua pele estiver vermelhinha e descamando, ela está machucada: você está esfoliando demais. E fique de olho porque esta necessidade pode, sempre, variar. Durante o inverno, por exemplo, é comum precisar aumentar as esfoliações já que a pele resseca mais.

Outro ponto é que existem 2 tipos de esfoliação: a química e a mecânica. A mecânica, que deve ser a mais conhecida, é aquela onde usamos algum meio físico para fazer a esfoliação, como os grãozinhos presentes nos cremes para este propósito, ou mesmo uma bucha vegetal. Estes grãozinhos podem ser cristais de açúcar ou sal marinho, por exemplo. Algumas marcas ainda utilizam partículas de plástico (microesferas de polietileno é o termo correto) para garantir a textura “arenosa” em suas loções e estas partículas estão poluindo rios e mares já que passam direto pelos filtros usados no tratamento de água. Nos EUA, o estado de Nova Iorque, dentre alguns outros, baniu o uso dessas microesferas pela indústria cosmética mas, apesar do alerta dos ambientalistas, muitas marcas seguem usando (em outros lugares) e muitos países seguem permitindo este uso. Na dúvida, pesquise, veja os ingredientes (as esferas aparecem, normalmente, como polyethylene), e prefira uma opção mais amiga do meio ambiente.

A esfoliação química ocorre quando um ingrediente, normalmente um ácido, é responsável por “quebrar” a ligação entre as células mortas e a superfície da pele e, assim, removê-las. Este procedimento é chamado, também, de peeling.

Alguns produtos juntam a esfoliação química e a mecânica. Eles são chamados de gomage (ou gomagem) e apresentam uma concentração baixa de um ácido esfoliante além de produzirem, depois da aplicação, uma película que, ao ser esfregada, acaba se transformando em uns “pedacinhos” de produto que fazem esfoliação mecânica.

Como fazer?

A lista de esfoliantes disponíveis no mercado é E-NOR-ME então a melhor forma de aplicar o produto é seguindo as instruções no rótulo, sorry =D

Para alguns (os mecânicos), só é preciso aplicar no rosto úmido, esfregar um pouquinho e enxaguar. Já outros, normalmente os que acrescentam à esfoliação mecânica um ácido de esfoliação química, é preciso aplicar e esperar um tempo para remover (e precisa remover todo o produto, sem deixar vestígio, caso contrário, os ácidos continuam agindo). As gomages, por sua vez, precisam ser aplicadas no rosto seco.

Por toda essa diferença, apenas siga as instruções do fabricante. ;)

Produtos recomendados pela autora no livro

  • Skinfood Black Sugar Mask Wash Off;
  • Neogen Bio-Peel Gauze Peeling Wine;
  • AmorePacific Treatment Enzyme Peel;
  • Goodal Phytowash Yerba Mate Bubble Peeling.

Produto que utilizo

Blog Valeu a Compra - Rotina coreana de cuidados com a pele

Eu gosto muito (mas tenho de parar de gostar!) dos esfoliantes da Mary Kay. Tinha aqui para o rosto, para o corpo, para as mãos… Mas a Mary Kay é uma das marcas que utiliza as esferas de plástico em seus produtos (exceto nos estados dos EUA onde a lei baniu), e eu decidi abrir mão deles enquanto a fórmula não mudar por aqui.

No rosto, estou usando uma gomage da marca Rosette que comprei no Japão durante minhas férias no ano passado. Ela mistura a esfoliação química feita com alfahidroxiácido (o famoso AHA) extraído de maçã com a esfoliação mecânica feita com “pedacinhos” que resultam do próprio produto depois que ele seca na pele. Comprei numa farmácia e paguei 3 dólares. Como este frasco está acabando, encomendei o Gommage Visage Booster d’Éclat da Bourjois para continuar a rotina (R$ 34 na Sephora).

No corpo, uma vez por semana, uso os cristais esfoliantes Vitória-Régia Flor do Dia da L’Occitane Au Brésil. São cristais de açúcar embebidos em óleo vegetal e eles deixam a pele simplesmente perfeita! Super recomendo.

Nos lábios, que ressecam muito, uso quase todos os dias o Kissing Sugar Lip Scrub, da coreana Shara Shara. Também são cristais de açúcar misturados a um balm super hidratante. Depois de esfregar o produto nos lábios, os cristais acabam se dissolvendo e o balm permanece.

Quer saber onde comprar cosméticos coreanos? Confira este post.

Beijinhos,
Van

Este post não é um publieditorial.

Rotina coreana de cuidados com a pele: limpar

Atenção: este post faz parte de uma série que explica todas as etapas da rotina utilizada pelos coreanos para cuidar da pele e foi inspirado no livro The Little Book of Skin Care: Korean Beauty Secrets for Healthy, Glowing Skin de Charlotte Cho. Se você ainda não viu o meu texto que fala sobre o livro e que faz uma introdução sobre este tema, recomendo fortemente dar uma olhadinha nele antes de prosseguir aqui. Acesse o texto inicial neste link.


Próxima etapa: esfoliar

Imagino que não seja uma surpresa dizer que a etapa inicial da rotina coreana de cuidados com a pele seja a limpeza. A surpresa talvez esteja em como esta limpeza é feita. Não é tão simples como só lavar o rosto durante o banho.

Não é verdade que esta rotina é uma sequência religiosa de x passos com produtos muito bem definidos. Também não é verdade que só é possível segui-la usando cosméticos coreanos. Existem, claro, alguns produtos que são fundamentais para a coisa toda funcionar (e algumas categorias de produtos só existem nas marcas asiáticas). Mas nem todas as etapas são obrigatórias e nem todos os passos precisam ser feitos todos os dias. E uma vez que você chega no roteiro que melhor se adapta à sua pele, nem todas as etapas e produtos precisam ser utilizados pela manhã e à noite.

A verdade absoluta é que, antes de mais nada, você precisa aprender com a sua pele. É preciso analisá-la, dia a dia, pra entender como ela está reagindo, e ir aprendendo a dosar produtos e ingredientes (por isso a leitura do livro é fortemente indicada). Se um tônico faz sua pele “queimar” (ah, os “tônicos adstringentes”, repletos de álcool, que o ocidente direciona a quem tem pele oleosa e acne… quem nunca usou?), ele não está te fazendo bem, acredite. Se a espuma de limpeza parece “repuxar” seu rosto quando você está se enxugando, saiba que isso não é um “efeito tensor” que está devolvendo firmeza à sua pele, isso é PH alcalino demais que está ressecando seu rosto.

Os produtos coreanos são, em sua maioria, muito suaves. E cada passo (com seu produto) tem uma função bastante específica. É justamente esta sobreposição, numa ordem correta, que faz com que a rotina funcione. E bastante disciplina, lógico. Como falei no post anterior, não existe milagre. E a limpeza é tão importante para que os demais produtos funcionem, e levada tão a sério, que coreanos limpam o rosto duas vezes em sequência. Sim, você leu certo: é a double cleansing, adotada também por japoneses, que mesmo utilizando produtos suaves promete uma limpeza profunda. Vamos lá?

1º. Pré-limpeza (oil-based): remoção de maquiagem e a limpeza com óleo


Os produtos utilizados diariamente como o protetor solar, os BB creams, maquiagens à prova d’água, e mesmo o suor, a poluição, vão se acumulando na pele e não são facilmente removidos apenas com uma espuma de limpeza à base de água. É aqui que entra o óleo.

Para quem não conhece os produtos de limpeza à base de óleo pode soar estranho ter de aplicar óleo no rosto, mas a verdade é que somente o óleo é capaz de remover com eficiência, sem agredir a pele, certas impurezas. Uma espuma de limpeza sem óleo, à base de água, não consegue eliminar totalmente resíduos oleosos da pele.

Embora algumas marcas ocidentais (como Guerlain, L’Occitane e MAC) estejam lançando seus óleos de limpeza, e embora você possa fazer esta limpeza utilizando qualquer óleo vegetal, só vi nas marcas coreanas um produto que é um balm, um óleo na textura e consistência de creme. Comprei o Naked da VDL (numa edição especial em parceria com o Kakao Talk, aplicativo de bate-papo muito famoso e usado na Ásia) pensando que era apenas para remover a maquiagem. Usei, pela primeira vez, numa noite que voltei de uma festa de casamento e estava com uma maquiagem bastante carregada, especialmente nos olhos. E achei sensacional como esse óleo-creme sem perfume dissolveu minha maquiagem com facilidade absurda, sem arder pele ou olhos, e sem esfrega-esfrega. Depois que li o livro, incorporei este produto na minha rotina diária (mesmo quando não uso maquiagem).

Como fazer?

Se você estiver utilizando um óleo de uma marca ocidental, siga as instruções no frasco. Mas para esses balms – mágicos! – coreanos, proceda assim: ainda com a pele seca, aplique uma pequena quantidade do produto em cada bochecha, na testa, nariz e queixo. Com as mãos secas, faça movimentos circulares suaves no rosto. O produto, com o calor das mãos, começa a derreter e vira, agora sim, um óleo mais fluido. Massageie mais um pouco. Molhe as palmas das mãos e massageie mais. Em contato com a água, o óleo se transforma num creme leitoso bastante fluido e fica bem fácil de enxaguar. Eu disse que você pode usar um óleo vegetal qualquer nesta etapa, mas ao optar por um produto específico para isso você terá este benefício, de conseguir tirar o excesso com muita facilidade.

Produtos recomendados pela autora no livro

  • Banilla Co. Clean It Zero Classic;
  • 3 Concept Eyes Lip & Eye Remover;
  • Tony Moly Floria Brightning Cleansing Oil;
  • Skinfood Brown Rice Oil Cleansing Tissue.

Produto que utilizo

VDL Naked Cleansing Oil Cream.

Quem não quiser comprar produto coreano e ter de esperar pacientemente pela sua entrega, uma boa opção, que vende no Brasil, é o Óleo Demaquilante Karité da L’Occitane.

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2º Limpeza (water-based): sabonete ou espuma de limpeza


Agora é hora de lavar seu rosto novamente =D

Seguir uma rotina de limpeza que utiliza um produto oil-based e um produto water-based em sequência é a melhor forma de eliminar com eficiência o máximo de impurezas, incluindo aquelas que causam irritação e deixam a pele vermelhinha.

Provavelmente este passo não é segredo para ninguém. Você pode seguir utilizando seu produto de costume, desde que ele não lhe cause nenhum desconforto. Se alguma sensação “estranha” aparecer, por menor que seja, como sentir a pele mais seca que de costume, é hora de testar uma nova opção.

Como fazer?

Com o rosto já molhado (depois de enxaguar ligeiramente a limpeza oil-based com água morna), faça uma espuma na palma das mãos com o seu produto de limpeza, seja ele sabonete em barra ou líquido, espuminha ou creme. Quando a espuma estiver formada, aplique-a sobre o rosto com movimentos circulares e suaves. Alguns produtos não fazem espuma, neste caso aplique-o, também, primeiro nas palmas das mãos e esfregue uma na outra antes de levar ao rosto. Massageie durante 1 ou 2 minutos e enxague. Quando for secar o rosto, nada de esfregar a toalha na cara haha! Simplesmente pressione a toalha contra a face, umas 2 ou 3 vezes devem bastar. Simples.

Produtos recomendados pela autora

  • Neogen Dermalogy Real Fresh Green Tea Foam;
  • Su:m37 Miracle Rose Cleansing Stick;
  • Benton Honest Cleansing Foam.

Produtos que utilizo

Pela manhã eu não faço a limpeza dupla, apenas a water-based. Neste caso, uso a espuminha Mini Bebe da It’s Skin com extrato de romã que é bem suave e tem princípios calmantes. À noite, quando faço a double cleansing, uso a espuminha Happy da Etude House que mostrei aqui.

Quem não quiser comprar uma espuminha coreana, sugiro a Espuma de Limpeza de Chá Verde e Verbena, da Anna Pegova. É maravilhosa, refrescante, calmante. Minha pele é super sensível e se irrita facilmente com cosméticos, e esta espuma super funcionou pra mim. O único problema é o preço, que é meio salgadinho. Um motivo a mais para pensar nos cosméticos coreanos. Confira uma seleção de espuminhas de limpeza de chá verde neste link.

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E aqui termino o primeiro post desta série!

Quer saber onde comprar cosméticos coreanos? Confira este post.

Beijinhos,
Van

Este post não é um publieditorial.

Livro: The Little Book of Skin Care

No início da semana, comecei a ler o livro The Little Book of Skin Care: Korean Beauty Secrets for Healthy, Glowing Skin que a Charlotte Cho lançou no último dia 10 e a leitura foi tão fluida, informativa e gostosa que em 3 dias eu já o havia terminado.

Blog Valeu a Compra - Livro The Little Book of Skin Care de Charlotte Cho

Pra quem não conhece, a Charlotte Cho é a fundadora do site americano Soko Glam, um blog e loja virtual pioneira em trazer cosméticos coreanos para o ocidente, e este é seu primeiro livro. Nele, ela conta sua trajetória até fundar a Soko Glam, sua mudança para Seul, seu retorno à Califórnia, e explica porque o cuidado com a pele é o fundamento da beleza coreana.

A Charlotte é esteticista e neste livro, dentre várias outras coisas (e muita informação do dia a dia coreano não só relacionada à beleza), ela explora de uma maneira leve e divertida, mas muito rica, a rotina (que já causou burburinho no ocidente) de 10 passos dos cuidados com a pele que os coreanos (sim, mulheres e homens) seguem. Como esteticista, ela explica o objetivo de cada passo, a função de cada produto além de fazer a análise de uma grande lista dos ingredientes mais utilizados por lá.

Charlotte Cho em sessão de autógrafos em Nova Iorque

Já faz um tempo que eu queria fazer um post sobre esta tal rotina baseado no que eu já tinha lido em outros blogs e visto no YouTube. Mas o livro traz outra perspectiva, tão rica e tão clara e tão cheia de informação que mesmo simplificando bastante e não entrando no mérito das explicações do ponto de vista de uma esteticista que ela fornece, um post para toda a rotina seria pouco. Então vou preparar uma série de posts para explicar cada passo.

Vale à pena dizer que muita gente se admira quando ouve que coreanos tem uma rotina de 10 passos de cuidados com a pele e, apesar de eu querer quebrar os posts em vez de botar tudo em um só, na prática, a rotina não leva tanto tempo assim. Eu a adotei e gasto uns 10 minutos à noite e metade disso pela manhã (e sou a típica lazy girl). Tem gente que gasta muito mais que isso toda manhã apenas para se maquiar. Na Coreia, valoriza-se muito mais uma pele bem cuidada, saudável, hidratada e com uma maquiagem leve, do que “corrigir” o rosto cobrindo tudo com maquiagem como fazemos no ocidente.

Nesta rotina, o paradigma também é diferente. Enquanto no ocidente nós atuamos sempre “contra” a nossa pele, lutando para resolver problemas como a acne, as manchas, as linhas de expressão, etc, quando estes aparecem, na Coreia a ideia é outra: encarar a pele como o que ela é: o maior órgão do corpo humano, e respeitá-la, cuidar dela como se cuida do resto da saúde e em vez de “lutar contra” adotar hábitos a favor dela. Outro aspecto importante é que não existe milagre e os coreanos sabem disso. Não existe um creme revolucionário, tecnológico e mágico que vai apagar rugas. O que existe é a prevenção: cuidar da pele com muita disciplina, mantê-la hidratada e protegê-la do sol para manter seu aspecto radiante natural.

Para quem acha, como eu pensava, que a perfeição da pele coreana tem muita relação com genética, o livro explica, também, que genes e alimentação acabam sendo responsáveis por uma parcela pequena do “destino” de sua pele. A própria Charlotte nasceu na Califórnia mas é filha de coreanos e descreve como os genes não perdoaram sua pele antes dela mudar seus hábitos e adotar alguns cuidados.

Como mencionei, não vou entrar nos detalhes técnicos que a autora aborda sobre ingredientes, PH da pele, como ocorre o processo de envelhecimento pelo sol, etc. Nos próximos posts vou apenas descrever as etapas: para que elas servem e como proceder, e dar exemplos de produtos. Mas super recomendo a leitura deste livro a todos aqueles que queiram se aprofundar no tema, ou simplesmente se você gosta dos cosméticos coreanos (ou da Coreia, já que há vários relatos do dia a dia e até um capítulo dedicado aos melhores bairros para comer, beber, fazer compras e, claro, visitar as lojas de cosméticos).

O livro é fofo, gostoso de ler e tem ilustrações da Gemma Correll. Tem versão para Kindle na amazon.com.br (sem tradução para o português, por enquanto) por R$ 49,58.

Algumas das ilustrações de Gemma Correll presentes no livro

Beijinhos, e até os próximos posts!
Van

Este post não é um publieditorial.

Óleo: amigo ou vilão?

Por muitos anos na cosmética aqui do ocidente, o óleo foi condenado como inimigo da pele. Nos cabelos então, nem pensar! O mais próximo que chegávamos de gotinhas de brilho eram os séruns de silicone, lembram-se? Pele ou cabelos oleosos eram um big no-no e, claro, óleo como ingrediente de produto de cuidado ou tratamento era, praticamente, um absurdo.

A coisa foi tão assustadora que chegou-se à máxima de tornar sinônimo de pele oleosa aquele aspecto radiante de uma pele jovem e saudável (produzido graças aos óleos naturais da própria pele que existem, justamente, para manter a hidratação). Foi então que o mercado lançou uma enxurrada de produtos sem óleo e/ou para combater a oleosidade e maquiagens de efeito mate. Acabou-se todo o brilho, inclusive o saudável.

Pausa aqui, porque sentindo falta desse brilho, já bem mais tarde, passaram a lançar uma enxurrada de iluminadores. Ou seja: primeiro você tira todo o aspecto radiante natural da sua pele, cobre tudo isso com maquiagens opacas de efeito mate, e finalmente você cria o brilho artificial.

Então perceberam (consumidores e marcas)  que todo este universo de produtos antioleosidade estava ressecando as peles. E reintroduziram os óleos. Já notaram como hoje há óleo para tudo? Os vidrinhos minúsculos de silicone para os cabelos foram substituídos pelos frascos e vidros grandes de óleo e nem é só mais para o cabelo. São gotinhas de óleo para o rosto, óleo de toque seco que mesmo a pele oleosa pode usar, óleo de múltiplo uso, óleo rejuvenescedor com vitamina C, sabonete líquido em óleo, hidratante labial em óleo… A verdade é que o óleo não é vilão, é seu amigo.

Blog Valeu a Compra - óleo vilão ou amigo?

Os sabonetes para o rosto, antes “sem óleo” e feitos para remover e prevenir a oleosidade (gente, e a hidratação?) hoje são “espumas suaves que mantêm a hidratação natural”. O strobing, que já falei aqui no blog e que todo mundo andou falando mas que não é nada novo, é só uma gambiarra (isso mesmo) pra devolver o brilho à pele que foi tirado com todo o arsenal de produtos sem óleo e maquiagem de efeito mate que foi jogado no mercado.

Gosto muito da maquiagem coreana porque, na Coreia do Sul, favorecer o aspecto radiante da pele não é uma novidade, é algo antigo e tão importante às coreanas que lá, há tempos, já existem hidratantes e primers e BB creams, bases cushion, pó e todo tipo de produto que você imaginar que garanta um pouco de glow ao rosto. Glow que, muitas vezes, só se consegue com um bom hidratante (leia-se: com óleo vegetal em sua composição) ou com o próprio óleo. E para remover o excesso de oleosidade das peles mais propensas e dos dias de calor as asiáticas usam folhinhas absorventes que tiram o excesso superficial e não a hidratação natural produzida pela pele.

Eu nunca caí nesta falácia do óleo vilão porque minha pele é um caso muito complicado. Tenho psoríase, como sabem, e a pele do meu rosto é mista mas por causa da psoríase as partes secas ficam extremamente ressecadas e a parte oleosa é super sensível e problemática, reagindo (normalmente mal) à maioria dos produtos. E óleo sempre foi meu amigo, mesmo tendo a pele mista (e, sim, aplico óleo mesmo nas partes já oleosas).

Óleos minerais x vegetais

Apenas um cuidado é importante: existem os óleos minerais, derivados do petróleo, e os vegetais. Numa explicação muito simples (e acho que basta para o propósito do post), o óleo mineral é perfeito em criar uma barreira que protege pele e cabelos de agentes externos e que garante, assim, a hidratação. O problema é que ele apenas cria essa barreira, ele não é absorvido pela pele ou pelos cabelos, e ele mantém a hidratação se ela já existe. Há quem diga que o uso prolongado de óleos minerais pode causar o ressecamento da pele e do cabelo já que a gente vai removendo a hidratação natural com o uso de detergentes presentes nos sabonetes e xampus e não repõe isso, já que este óleo não é absorvido. O óleo vegetal, este sim promove, gera uma hidratação, ajuda a aumentar a hidratação natural, e é absorvido pela pele e cabelos. Os óleos vegetais, no entanto, tem um custo maior de produção, o que se reflete no produto final, e o que faz muitas marcas recorrerem ao óleo mineral em seus produtos.

Para os cabelos: silicone x óleo

Os silicones garantem um brilho imediato aos fios e também criam uma barreira de proteção como os óleos minerais. Mas não garantem hidratação. Neste aspecto, os óleos vegetais são uma melhor pedida. Os silicones também possuem uma proteção inerente aos raios ultravioletas, mas se quiser garantir uma proteção transparente (conhecendo o exato FPS oferecido) e que abranja todos as frequências nocivas, é melhor recorrer a um produto específico para este fim.

Aplicações

O óleo tem apenas uma finalidade: promover a hidratação. Prefira os vegetais, já que os minerais apenas criam uma barreira de proteção e não hidratam. Os novos óleos chamados de “toque seco” são mais levinhos, menos encorpados do que os conhecidos óleos de banho, e ao espalhar na pele são rapidamente absorvidos, deixando um glow sem aspecto oleoso. Alguns deles são de múltiplo, ou seja, podem ser aplicados no corpo, rosto e cabelos.

Meus favoritos? O Huile Prodigieuse, da francesa Nuxe, para rosto e corpo (no rosto, uso umas 3 gotas pela manhã e à noite. Coloco na palma da mão, esfrego uma mão na outra para uma leve aquecida e aplico. Também misturo com a base ou o BB cream durante a maquiagem. Ele pode ser usado nos cabelos, mas não gosto muito). O óleo da Nuxe é vegetal, livre de silicone, conservantes e óleo mineral, e composto de 97,8% de ingredientes naturais. Já uso faz um tempo, mesmo antes da Nuxe chegar no Brasil, eu importava antes. Pra quem quiser experimentar, na Sephora tem miniatura por 24 reais. Para os cabelos, fico com o clássico óleo de argan da Moroccanoil.

E, claro, acho que nem preciso dizer que fujo de tudo que é acabamento mate na maquiagem. Essa história de batom fosco, base sequinha, nada disso funciona comigo.

E você? Usa óleo? Não usa? Adora? Abomina? Deixe seu comentário!

Beijinhos,
Van

Este post não é um publieditorial.